59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

Dados do Trabalho


TÍTULO

Miocardite Periparto no Sistema Único de Saúde do Rio Grande do Sul: Relato de Caso

CONTEXTO

A Cardiomiopatia periparto é uma doença idiopática rara, definida pela ocorrência de insuficiência cardíaca durante a gravidez tardia ou pós-parto na ausência de qualquer outra causa definível ou doença cardíaca prévia, podendo ocorrer novamente em outra gestação. Neste trabalho, apresentamos o caso de uma paciente com histórico de Cardiomiopatia periparto em gravidez anterior e que, durante uma gestação gemelar, desenvolveu novamente a doença.

DESCRIÇÃO DO(S) CASO(S) ou da SÉRIE DE CASOS

Mulher, 26 anos, G2P1A0, branca, solteira. Estava em sua segunda gravidez. Na primeira gestação, apresentou diagnóstico de Cardiomiopatia periparto aos 30 dias de puerpério, evoluindo sem sintomas após 3 meses de seguimento. A primeira ultrassonografia obstétrica realizada com 14 semanas de idade gestacional identificou gestação gemelar, diamniótica e dicoriônica. O parto por cesariana ocorreu com 37 semanas, por indicação obstétrica (apresentação pélvica de ambos os fetos), sem intercorrências. No puerpério mediato, 30h pós-parto, a paciente apresentou taquicardia e hipertensão. Evoluiu com fadiga, dispneia e com saturação de oxigênio de 80%. A radiografia de tórax evidenciou aumento da área cardíaca e confirmou o diagnóstico de edema agudo pulmonar. O ecocardiograma demonstrou dilatação do ventrículo esquerdo com preservação da espessura, difusamente hipocinético, com disfunção sistólica moderada e FE de 40%. Destarte, firmou-se o diagnóstico de Cardiomiopatia periparto, sendo iniciado Furosemida 20mg endovenoso, Carvedilol 6,25mg via oral e Digoxina 0,25mg via oral, mantendo-se oxigênio 5L/min em máscara de venturi. Paciente evoluiu com melhora da fração de ejeção e do edema pulmonar, recebendo alta com medicação por via oral e encaminhamento para continuidade da assistência no ambulatório de cardiologia

COMENTÁRIOS

A condição é considerada uma patologia negligenciada, tendo em vista a falta de conhecimento sobre alguns aspectos da doença e sua raridade no Brasil, com valores estimados variando de 1/100 a 1/15.000 gestações. Além disso, exibe elevada taxa de mortalidade, com variações entre 7 a 50%, permanecendo com necessidade de atenção. Dessa forma, é indispensável a importância do tratamento precoce para obtenção de melhores prognósticos e revalida-se a necessidade de registros nacionais e internacionais, com coleta sistemática e prospectiva de dados para documentar melhor as formas de apresentação e tratamentos da doença.

PALAVRA CHAVE

1. Período Periparto 2. Miocardite 3. Gravidez de Alto Risco 4. Gravidez de Gêmeos 5. Saúde Materno-Infantil 6. Sistema Único de Saúde

Área

OBSTETRÍCIA - Gestação de Alto Risco

Autores

Brendha Zancanela Santos, Giulia Cioffi Nascimento, Gabriella Marques Monteiro, Ana Carolina Drehmer Santos, Natália Tonn, Carolina Menezes Nunes, Ana Elisa Hartmann, Rita de Cássia Fossati Silveira Evaldt

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